Os estilos de vida
2008-12-22Se só temos uma vida, é muito importante saber como queremos vivê-la.Qual é o seu estilo de vida ?
A Organização Mundial de Saúde (OMS) definiu, em 1988, o estilo de vida como o aglomerado de padrões de comportamento que as pessoas adoptam em função das condições económicas e sociais, da educação, da idade, e de muitos outros factores. Obviamente, o estilo de vida tem um impacto profundo na saúde. E esta, segundo M. O´Donnell, não é tanto a ausência de doenças ou de incapacidades mas a conquista de um estado de bem-estar integral que pode ser dividida em cinco dimensões: saúde emocional, saúde social, saúde intelectual, saúde espiritual e saúde física (7).
A angústia do quotidiano
Estando a nossa sociedade que cada vez mais dependente do conhecimento para continuar a evoluir em todas as frentes, ela tornou-se ávida de informação, inteligência e aprendizagem. Isto repercute-se em todas as facetas da nossa vida pessoal. Mesmo as crianças são obrigadas, cada vez mais cedo, a maiores esforços mentais do que em qualquer outra época.
Ainda pequeninas são colocadas em creches e jardins-de-infância onde ficam sete e oito horas seguidas até poderem regressar a casa, cansadas e com evidentes sinais de stress. Os mais velhinhos, já com mais responsabilidades, acotovelam-se em salas de aulas com poucas ou nenhumas condições para uma aprendizagem significativa mas onde se espera que estejam concentrados, quietos e tranquilos.
Os pais, por sua vez, atarefados nos seus afazeres profissionais e a braços com múltiplos compromissos, cambaleiam muitas vezes entre o esgotamento, a depressão e a loucura. A vida moderna tornou-se, com efeito, muito complexa. As pessoas não levam, na generalidade, uma vida tranquila. Acumulam stress mesmo quando procuram a distracção e a descompressão.
Stress infantil
Observem-se, mais uma vez, as crianças. Logo pela manhã elas são levadas à pressa para a escola. Engolem o pequeno-almoço num ápice e, com um dos pais, mergulham no trânsito caótico e arreliadoramente lento das cidades. Chegam às salas de aulas esbaforidas, meio ensonadas e literalmente desmioladas (na verdade, já pouca cabeça têm para pensar nessa altura do dia).
Depois as actividades escolares estendem-se por quatro, cinco e seis horas no meio de alguma indisciplina e onde há todo o género de alunos e conflitos: os interessados que se esforçam por aprender, os desmotivados cheios de tédio, os hiperactivos a saltar mesas, os indisciplinados a fazerem barulho, os líderes em guerra aberta pela conquista do poder na sala, os sobredotados com crises existenciais, os tímidos e calados esperando que ninguém dê por eles, etc.
Finalmente, depois de um dia no mínimo esgotante, regressam a casa, obviamente saturadas e agitadas, cumprindo rigorosa e rotineiramente este ciclo infernal durante vários anos.
Mesmo os pais e os avós não têm melhor vida. Mais de metade da população das grandes cidades habita zonas perigosamente poluídas, ruidosas e desconfortáveis. Os problemas com que têm de lidar em casa e nos empregos tornam-nos presas fáceis da desorientação e da exaustão provocadas pelo corre-corre, a acumulação desabrida de compromissos, a falta de sono, os excessos alimentares, o cansaço.
Saber viver
O estilo de vida que adoptámos deve exprimir as nossas escolhas e preferências. Só temos uma vida e é nossa obrigação escolher um modelo existencial que nos realize como pessoas e nos faça felizes. Poucos, porém, conseguem isso. Porquê? Muitas vezes culpamos a falta de dinheiro para satisfazermos os nossos sonhos e caprichos e invejamos os ricos e empreendedores que parecem ter tudo o que há de melhor no mundo. Mas será a falta de dinheiro que nos estraga o estilo de vida? Na verdade, qualquer estilo de vida pode ser rapidamente afectado se:
- nos envolvermos num excesso de actividades;
- assumirmos demasiados compromissos;
- fizermos uma má gestão na distribuição do tempo;
- acumularmos sentimentos de ira e raiva;
- tivermos problemas de relacionamento com os outros;
- perdermos o controlo diante de situações críticas;
- tivermos preocupações excessivas;
- nos faltar o descanso e os momentos de verdadeiro lazer;
- sentirmos dificuldades em lidar com as perdas e frustações.
Não é, pois, o dinheiro nem a condição social que determinam o estilo de vida mas a forma como organizamos a nossa vida, fazemos as nossas escolhas e projectamos o nosso futuro. É algo que, frequentemente, temos de aprender.
Próximo artigo: A perda do sentido de autocrítica
Descubra também as razões do Cansaço Cerebral
A angústia do quotidiano
Estando a nossa sociedade que cada vez mais dependente do conhecimento para continuar a evoluir em todas as frentes, ela tornou-se ávida de informação, inteligência e aprendizagem. Isto repercute-se em todas as facetas da nossa vida pessoal. Mesmo as crianças são obrigadas, cada vez mais cedo, a maiores esforços mentais do que em qualquer outra época.
Ainda pequeninas são colocadas em creches e jardins-de-infância onde ficam sete e oito horas seguidas até poderem regressar a casa, cansadas e com evidentes sinais de stress. Os mais velhinhos, já com mais responsabilidades, acotovelam-se em salas de aulas com poucas ou nenhumas condições para uma aprendizagem significativa mas onde se espera que estejam concentrados, quietos e tranquilos.
Os pais, por sua vez, atarefados nos seus afazeres profissionais e a braços com múltiplos compromissos, cambaleiam muitas vezes entre o esgotamento, a depressão e a loucura. A vida moderna tornou-se, com efeito, muito complexa. As pessoas não levam, na generalidade, uma vida tranquila. Acumulam stress mesmo quando procuram a distracção e a descompressão.
Stress infantil
Observem-se, mais uma vez, as crianças. Logo pela manhã elas são levadas à pressa para a escola. Engolem o pequeno-almoço num ápice e, com um dos pais, mergulham no trânsito caótico e arreliadoramente lento das cidades. Chegam às salas de aulas esbaforidas, meio ensonadas e literalmente desmioladas (na verdade, já pouca cabeça têm para pensar nessa altura do dia).
Depois as actividades escolares estendem-se por quatro, cinco e seis horas no meio de alguma indisciplina e onde há todo o género de alunos e conflitos: os interessados que se esforçam por aprender, os desmotivados cheios de tédio, os hiperactivos a saltar mesas, os indisciplinados a fazerem barulho, os líderes em guerra aberta pela conquista do poder na sala, os sobredotados com crises existenciais, os tímidos e calados esperando que ninguém dê por eles, etc.
Finalmente, depois de um dia no mínimo esgotante, regressam a casa, obviamente saturadas e agitadas, cumprindo rigorosa e rotineiramente este ciclo infernal durante vários anos.
Mesmo os pais e os avós não têm melhor vida. Mais de metade da população das grandes cidades habita zonas perigosamente poluídas, ruidosas e desconfortáveis. Os problemas com que têm de lidar em casa e nos empregos tornam-nos presas fáceis da desorientação e da exaustão provocadas pelo corre-corre, a acumulação desabrida de compromissos, a falta de sono, os excessos alimentares, o cansaço.
Saber viver
O estilo de vida que adoptámos deve exprimir as nossas escolhas e preferências. Só temos uma vida e é nossa obrigação escolher um modelo existencial que nos realize como pessoas e nos faça felizes. Poucos, porém, conseguem isso. Porquê? Muitas vezes culpamos a falta de dinheiro para satisfazermos os nossos sonhos e caprichos e invejamos os ricos e empreendedores que parecem ter tudo o que há de melhor no mundo. Mas será a falta de dinheiro que nos estraga o estilo de vida? Na verdade, qualquer estilo de vida pode ser rapidamente afectado se:
- nos envolvermos num excesso de actividades;
- assumirmos demasiados compromissos;
- fizermos uma má gestão na distribuição do tempo;
- acumularmos sentimentos de ira e raiva;
- tivermos problemas de relacionamento com os outros;
- perdermos o controlo diante de situações críticas;
- tivermos preocupações excessivas;
- nos faltar o descanso e os momentos de verdadeiro lazer;
- sentirmos dificuldades em lidar com as perdas e frustações.
Não é, pois, o dinheiro nem a condição social que determinam o estilo de vida mas a forma como organizamos a nossa vida, fazemos as nossas escolhas e projectamos o nosso futuro. É algo que, frequentemente, temos de aprender.
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